ciclone.
Tipos de ciclone

Ciclone tropical: furacões e tufões

O ciclone tropical é o tipo mais intenso de ciclone. Ele nasce sobre o mar quente, tem núcleo quente e, quando os ventos passam de 119 km/h, ganha o nome de furacão, tufão ou ciclone severo, conforme o oceano.

Atualizado em 21/10/2026Leitura: 7 min

O que é

Um ciclone tropical é um sistema de baixa pressão que se forma sobre oceanos tropicais, sem frentes associadas, e que tira sua energia do calor liberado quando o vapor d'água do mar condensa nas nuvens. Esse calor aquece o centro do sistema, a pressão cai ainda mais, o vento acelera, a evaporação aumenta e o ciclo se realimenta.

A intensidade define o nome de cada estágio:

Depressão tropical
Ventos sustentados abaixo de 63 km/h (34 nós). Recebe só um número.
Tempestade tropical
De 63 a 118 km/h. É quando o sistema ganha um nome.
Furacão / tufão
119 km/h ou mais. Passa a ser classificado de 1 a 5 na escala Saffir–Simpson.

Furacão, tufão ou ciclone?

É o mesmo fenômeno. Só muda o nome regional:

OceanoNome usadoCentro responsável
Atlântico Norte, Caribe, Golfo do MéxicoFuracãoNHC (EUA)
Pacífico Nordeste e CentralFuracãoNHC e CPHC (EUA)
Pacífico NoroesteTufãoAgência Meteorológica do Japão
Oceano Índico NorteCiclone (tempestade ciclônica)IMD (Índia)
Índico Sul e Pacífico SulCiclone tropicalMétéo-France, BoM (Austrália), Fiji
Atlântico SulSem bacia oficial; sistemas nomeados pela Marinha do BrasilMarinha do Brasil

Condições para se formar

Um ciclone tropical só nasce quando vários ingredientes aparecem ao mesmo tempo:

  • Mar quente: pelo menos ~26 °C na superfície, com essa água quente se estendendo por dezenas de metros de profundidade.
  • Ar úmido na média atmosfera, para que as nuvens de tempestade cresçam sem "secar".
  • Pouco cisalhamento do vento: o vento não pode mudar muito de direção ou velocidade com a altura, senão "desmonta" o sistema.
  • Distância do Equador de pelo menos ~5° de latitude, para que o efeito Coriolis faça o ar girar.
  • Um distúrbio inicial, como as ondas de leste que saem da África e cruzam o Atlântico.

Anatomia de um furacão

  • Olho: o centro, com 20 a 60 km de diâmetro, onde o ar desce, o vento é fraco e o céu pode ficar limpo.
  • Parede do olho: o anel de nuvens que cerca o olho, com os ventos mais fortes e a chuva mais intensa.
  • Bandas de chuva: faixas espirais de tempestades que podem se estender por centenas de quilômetros e gerar tornados.
Cuidado com o olho

Quando o olho passa sobre um local, o vento para e o tempo parece melhorar. Minutos ou horas depois, a outra metade da parede do olho chega, com ventos igualmente fortes vindos da direção oposta.

Os perigos de um ciclone tropical

  1. Maré de tempestade (storm surge): a elevação do nível do mar empurrada pelo vento e pela baixa pressão. É historicamente a principal causa de mortes em furacões e pode inundar quilômetros de costa.
  2. Chuva e enchentes: um furacão lento pode despejar centenas de milímetros em poucos dias, mesmo longe da costa.
  3. Vento: destelhamentos, queda de árvores e de redes elétricas, objetos lançados.
  4. Tornados, principalmente nas bandas de chuva do lado direito do sistema (no Hemisfério Norte).

Temporadas

BaciaTemporada oficialPico
Atlântico Norte1º jun – 30 novMeados de agosto a meados de outubro
Pacífico Nordeste15 mai – 30 novJulho a setembro
Pacífico NoroesteAno todoJulho a outubro
Hemisfério Sul (Índico e Pacífico)nov – abrJaneiro a março

O mapa ao vivo deste site mostra os ciclones tropicais ativos no Atlântico Norte e no Pacífico Leste, com dados do centro de furacões dos EUA (NOAA/NHC).

Por que quase não há furacões no Brasil?

O Atlântico Sul reúne poucas das condições necessárias:

  • O mar perto da costa brasileira ao sul da Bahia geralmente é mais frio do que o necessário.
  • O cisalhamento do vento é alto na maior parte do ano, com ventos fortes em altitude que desorganizam as tempestades.
  • Não há uma fonte regular de distúrbios iniciais como as ondas de leste africanas do Hemisfério Norte, e a Zona de Convergência Intertropical raramente fica ao sul do Equador no Atlântico.

Mesmo assim, há exceções: o Furacão Catarina (2004) e algumas tempestades tropicais nomeadas pela Marinha, como Iba (2019) e Akará (2024). Veja o histórico.