O que é
Um ciclone tropical é um sistema de baixa pressão que se forma sobre oceanos tropicais, sem frentes associadas, e que tira sua energia do calor liberado quando o vapor d'água do mar condensa nas nuvens. Esse calor aquece o centro do sistema, a pressão cai ainda mais, o vento acelera, a evaporação aumenta e o ciclo se realimenta.
A intensidade define o nome de cada estágio:
Furacão, tufão ou ciclone?
É o mesmo fenômeno. Só muda o nome regional:
| Oceano | Nome usado | Centro responsável |
|---|---|---|
| Atlântico Norte, Caribe, Golfo do México | Furacão | NHC (EUA) |
| Pacífico Nordeste e Central | Furacão | NHC e CPHC (EUA) |
| Pacífico Noroeste | Tufão | Agência Meteorológica do Japão |
| Oceano Índico Norte | Ciclone (tempestade ciclônica) | IMD (Índia) |
| Índico Sul e Pacífico Sul | Ciclone tropical | Météo-France, BoM (Austrália), Fiji |
| Atlântico Sul | Sem bacia oficial; sistemas nomeados pela Marinha do Brasil | Marinha do Brasil |
Condições para se formar
Um ciclone tropical só nasce quando vários ingredientes aparecem ao mesmo tempo:
- Mar quente: pelo menos ~26 °C na superfície, com essa água quente se estendendo por dezenas de metros de profundidade.
- Ar úmido na média atmosfera, para que as nuvens de tempestade cresçam sem "secar".
- Pouco cisalhamento do vento: o vento não pode mudar muito de direção ou velocidade com a altura, senão "desmonta" o sistema.
- Distância do Equador de pelo menos ~5° de latitude, para que o efeito Coriolis faça o ar girar.
- Um distúrbio inicial, como as ondas de leste que saem da África e cruzam o Atlântico.
Anatomia de um furacão
- Olho: o centro, com 20 a 60 km de diâmetro, onde o ar desce, o vento é fraco e o céu pode ficar limpo.
- Parede do olho: o anel de nuvens que cerca o olho, com os ventos mais fortes e a chuva mais intensa.
- Bandas de chuva: faixas espirais de tempestades que podem se estender por centenas de quilômetros e gerar tornados.
Quando o olho passa sobre um local, o vento para e o tempo parece melhorar. Minutos ou horas depois, a outra metade da parede do olho chega, com ventos igualmente fortes vindos da direção oposta.
Os perigos de um ciclone tropical
- Maré de tempestade (storm surge): a elevação do nível do mar empurrada pelo vento e pela baixa pressão. É historicamente a principal causa de mortes em furacões e pode inundar quilômetros de costa.
- Chuva e enchentes: um furacão lento pode despejar centenas de milímetros em poucos dias, mesmo longe da costa.
- Vento: destelhamentos, queda de árvores e de redes elétricas, objetos lançados.
- Tornados, principalmente nas bandas de chuva do lado direito do sistema (no Hemisfério Norte).
Temporadas
| Bacia | Temporada oficial | Pico |
|---|---|---|
| Atlântico Norte | 1º jun – 30 nov | Meados de agosto a meados de outubro |
| Pacífico Nordeste | 15 mai – 30 nov | Julho a setembro |
| Pacífico Noroeste | Ano todo | Julho a outubro |
| Hemisfério Sul (Índico e Pacífico) | nov – abr | Janeiro a março |
O mapa ao vivo deste site mostra os ciclones tropicais ativos no Atlântico Norte e no Pacífico Leste, com dados do centro de furacões dos EUA (NOAA/NHC).
Por que quase não há furacões no Brasil?
O Atlântico Sul reúne poucas das condições necessárias:
- O mar perto da costa brasileira ao sul da Bahia geralmente é mais frio do que o necessário.
- O cisalhamento do vento é alto na maior parte do ano, com ventos fortes em altitude que desorganizam as tempestades.
- Não há uma fonte regular de distúrbios iniciais como as ondas de leste africanas do Hemisfério Norte, e a Zona de Convergência Intertropical raramente fica ao sul do Equador no Atlântico.
Mesmo assim, há exceções: o Furacão Catarina (2004) e algumas tempestades tropicais nomeadas pela Marinha, como Iba (2019) e Akará (2024). Veja o histórico.