Panorama
A costa do Sul do Brasil, junto com o Uruguai e o nordeste da Argentina, é uma das regiões com maior formação de ciclones do Hemisfério Sul. A maioria desses sistemas é extratropical: nasce perto do continente, ganha força e segue para sudeste, rumo ao oceano.
Em geral, quem sente o ciclone no Brasil não está "dentro" dele, e sim na sua periferia: na frente fria que ele arrasta, no vento que sopra do mar em direção à costa e nas ondas que ele gera. Por isso os impactos mais comuns são vendaval, ressaca, temporais e frio.
Onde os ciclones se formam
Estudos de climatologia de ciclones na América do Sul, como os de Gan & Rao (1991) e Reboita et al. (2010), identificam três áreas principais de formação perto do Brasil:
Litoral do Sudeste
Costa de SP, RJ e ES. Mais ciclones no verão, muitos deles subtropicais, ligados à umidade e ao mar morno.
Sul do Brasil e Uruguai
Litoral do RS, Uruguai e Rio da Prata. Mais ciclones no inverno, ligados às frentes frias e à influência dos Andes. É a área que mais afeta o país.
Costa sul da Argentina
Região do Golfo San Matías. Mais ciclones no verão; quase sempre seguem para o oceano sem afetar o Brasil.
Quando acontecem
| Estação | O que esperar |
|---|---|
| Outono (mar–jun) | Aumenta a frequência de ciclones extratropicais no Sul. Maio está entre os meses de maior formação. |
| Inverno (jun–set) | Época dos ciclones mais intensos e dos ciclones bomba; vendavais, ressacas e ondas de frio. |
| Primavera (set–dez) | Ciclones ainda frequentes, muitas vezes combinados a temporais, granizo e chuva volumosa. |
| Verão (dez–mar) | Menos ciclones no Sul; mais sistemas subtropicais no litoral do Sudeste. Época das raras tempestades tropicais. |
Estados mais afetados
A região mais atingida
Fica na rota preferencial dos ciclones extratropicais. Vendavais, temporais e granizo são frequentes; em 2023, ciclones associados a chuva extrema causaram as enchentes mais mortais do estado em décadas.
Litoral, vento e ressaca
Sofre com ventos fortes e ressacas. Foi o estado mais atingido pelo ciclone bomba de 2020 e onde o Furacão Catarina tocou o solo em 2004.
Vendavais e temporais
Ciclones e as frentes frias associadas provocam vendavais, chuva intensa e quedas de energia, principalmente no fim do outono e no inverno.
Ressacas no litoral
Os sistemas geralmente ficam no oceano, mas causam ressacas na Baixada Santista e no Litoral Norte, além de ventania na faixa litorânea.
Ventania e mar agitado
O RJ sente os ciclones principalmente como ressacas fortes e vento do mar. Sistemas subtropicais próximos podem trazer chuva forte.
Subtropicais e chuva
Mais afetado por ciclones subtropicais, como Arani (2011) e o sistema que originou Ubá (2021), com chuva intensa.
Por que o Brasil quase não tem furacões
O Atlântico Sul tem água mais fria perto da costa, ventos fortes em altitude que desmontam as tempestades e não recebe as "sementes" de furacão que o Atlântico Norte recebe da África. O Catarina, em 2004, é o único furacão registrado na costa brasileira. Tempestades tropicais, mais fracas, aparecem de vez em quando, como Iba (2019) e Akará (2024), ambas em alto-mar. Entenda os ciclones tropicais.
E as mudanças climáticas?
O aquecimento do oceano aumenta a quantidade de vapor d'água disponível. Isso tende a tornar a chuva associada aos ciclones mais intensa, um padrão já observado em vários lugares do mundo. Para o número de ciclones extratropicais no Atlântico Sul, as pesquisas ainda não mostram uma tendência clara. Na prática, o que mudou nos últimos anos é a frequência de eventos de chuva extrema no Sul, que tornam os ciclones mais perigosos quando chegam a regiões já encharcadas.
Como acompanhar
O mapa ao vivo deste site mostra os ciclones tropicais do Hemisfério Norte. Para os ciclones que afetam o Brasil, as fontes oficiais são o INMET, a Marinha do Brasil e a Defesa Civil. Veja como receber alertas no celular.