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Tipos de ciclone

Ciclone subtropical

Metade tropical, metade extratropical: o ciclone subtropical se forma perto da costa do Sul e do Sudeste do Brasil e é o único tipo, além do tropical, que recebe nome da Marinha do Brasil.

Atualizado em 21/10/2026Leitura: 5 min

Um ciclone híbrido

O ciclone subtropical combina características dos outros dois tipos. Perto da superfície, ele tem núcleo quente e tira energia do mar, como um ciclone tropical. Em altitude, tem núcleo frio e depende de uma perturbação na atmosfera superior, como um ciclone extratropical.

Na prática, isso gera um sistema com algumas marcas próprias:

  • Os ventos mais fortes ficam longe do centro, a 100 km ou mais, e não junto dele como nos furacões.
  • As nuvens e a chuva costumam ser assimétricas e mais espalhadas.
  • Não tem frentes bem definidas, ou tem frentes fracas.
  • Pode se formar sobre mar morno (cerca de 20 a 25 °C), mais frio do que um furacão exigiria.

Como se forma

No Atlântico Sul, os ciclones subtropicais costumam nascer quando um vórtice de ar frio em altitude (uma baixa "desprendida" da circulação principal) fica parado sobre águas relativamente quentes perto da costa. O contraste entre o ar frio lá em cima e o mar morno embaixo favorece tempestades que se organizam em torno de um centro de baixa pressão.

A costa entre o Rio Grande do Sul e o Espírito Santo, especialmente o litoral do Sudeste, é uma das regiões do mundo onde esse tipo de ciclone é mais comum. Eles aparecem em qualquer época, com mais frequência no verão e no outono.

Pode virar furacão?

Pode, mas é raro. Se o núcleo quente se aprofundar e o sistema passar a depender só do calor do mar, ele passa por uma transição tropical. Foi o que aconteceu com o Catarina em 2004, que começou como ciclone extratropical, passou por uma fase subtropical e virou furacão antes de chegar à costa de Santa Catarina. O caminho inverso também acontece: subtropicais muitas vezes viram extratropicais ao se afastarem para o sul.

Como recebem nome

A Marinha do Brasil batiza os ciclones subtropicais e tropicais que atingem força de tempestade, com ventos sustentados de pelo menos 35 nós (cerca de 65 km/h), na área marítima sob responsabilidade do Brasil. Ciclones extratropicais não recebem nome. Os nomes vêm de uma lista de palavras de origem tupi-guarani. Veja a lista completa.

Exemplos recentes

NomeDataDestaque
Aranimar 2011Primeiro nome da lista da Marinha; chuva forte no Espírito Santo.
Ubádez 2021O sistema que deu origem a ele trouxe chuva intensa ao ES, MG e BA.
Yakecanmai 2022Ventania no RS e no Uruguai, seguida de frio intenso e neve na serra.
Biguádez 2024Rajadas acima de 80 km/h em Porto Alegre e cerca de 230 mil imóveis sem luz no RS.
Caiobámar 2026Formou-se em alto-mar, a centenas de km da costa do RJ e do ES, sem impacto em terra.

Mais casos no histórico de ciclones no Brasil.