O que é um ciclone extratropical
"Extratropical" significa fora dos trópicos. Esses ciclones nascem nas latitudes médias, entre cerca de 30° e 60°, onde o ar frio que vem dos polos encontra o ar quente e úmido que vem dos trópicos. A energia do sistema vem justamente desse contraste de temperatura, e não do calor do mar, como acontece com os furacões.
Por isso o ciclone extratropical tem núcleo frio, está sempre ligado a frentes (a frente fria e a frente quente) e costuma ser bem maior que um furacão: seus ventos e nuvens podem se espalhar por mais de mil quilômetros.
Como ele se forma: o ciclo de vida
- Frente estacionária: ar frio e ar quente ficam lado a lado, separados por uma zona de transição.
- Onda frontal: uma perturbação em altitude (um cavado, ligado à corrente de jato) faz a frente se ondular. No vértice da onda, a pressão começa a cair.
- Ciclone maduro: forma-se uma circulação fechada. O ar frio avança por trás (frente fria) e o ar quente sobe por cima do ar frio à frente (frente quente). É a fase de ventos mais fortes. Se a pressão cair muito rápido, o sistema vira um ciclone bomba.
- Oclusão: a frente fria alcança a frente quente, o ar quente é empurrado para o alto e o ciclone perde sua fonte de energia.
- Dissipação: o centro se enche, a pressão sobe e o sistema enfraquece, geralmente sobre o oceano, entre 2 e 5 dias depois de nascer.
Impactos
Vendaval
Ventos de 60 a 100 km/h são comuns, com rajadas acima de 100 km/h nos casos mais fortes. Derrubam árvores, postes e telhados.
Ressaca
O vento persistente sobre o oceano gera ondas altas que atingem o litoral do RS ao RJ, com erosão e avanço do mar.
Chuva e temporais
Principalmente na passagem da frente fria: chuva intensa, granizo e risco de alagamentos e deslizamentos.
Frio
Depois que o ciclone passa, ele "puxa" uma massa de ar polar: a temperatura cai e pode haver geada no Sul.
Os danos dependem muito da trajetória. A grande maioria dos ciclones extratropicais se forma ou segue para o oceano, e o efeito em terra se limita a vento e mar agitado. Os mais perigosos são os que se formam ou se aprofundam junto à costa, ou que trazem muita chuva para regiões já encharcadas.
Quando acontecem
Ciclones extratropicais se formam o ano inteiro perto do Sul do Brasil, mas são mais frequentes e mais intensos no outono e no inverno (maio a setembro), quando o contraste entre o ar polar e o ar tropical é maior. É também a época em que mais frentes frias chegam ao país.
Em média, a região entre o Sul do Brasil, o Uruguai e o nordeste da Argentina é uma das áreas de maior formação de ciclones do Hemisfério Sul. Veja onde e quando eles mais afetam o Brasil.
Diferença para o ciclone tropical
| Extratropical | Tropical (furacão) | |
|---|---|---|
| Energia | Contraste de temperatura do ar | Calor do oceano |
| Núcleo | Frio | Quente |
| Frentes | Sim | Não |
| Olho | Não | Sim, quando intenso |
| Área de ventos fortes | Ampla e assimétrica | Concentrada perto do centro |
| Frequência no Brasil | Várias vezes por ano | Raríssimo |
Previsão e alertas
Ciclones extratropicais são bem previstos pelos modelos meteorológicos com 2 a 5 dias de antecedência. O ponto mais difícil costuma ser o detalhe: a posição exata do centro, a intensidade do vento em cada cidade e o volume de chuva. Quando há risco, o INMET emite avisos por cores e a Defesa Civil envia alertas por SMS e para o celular. Saiba como se cadastrar e o que fazer.