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Tipos de ciclone

Ciclone bomba (bombogênese)

Ciclone bomba é o nome popular de um ciclone que se intensifica de forma explosiva. A pressão no centro despenca em poucas horas e os ventos ficam muito fortes em pouco tempo, às vezes com pouco aviso.

Atualizado em 21/10/2026Leitura: 6 min

O que é um ciclone bomba

"Ciclone bomba" não é um tipo diferente de ciclone. É um ciclone, quase sempre extratropical, que passou por bombogênese: uma intensificação tão rápida que a pressão no centro cai pelo menos 24 hPa em 24 horas.

Como o vento depende da diferença de pressão entre o centro e a periferia, uma queda tão rápida faz o vento acelerar muito em pouco tempo. Por isso os ciclones bomba costumam ser os mais perigosos entre os extratropicais.

Critério clássico (60° de latitude)
24 hPa em 24 h
Equivalente a 30°S (Sul do Brasil)
~14 hPa em 24 h
Rajada recorde em SC (jul/2020)
168 km/h

O critério, em detalhe

O termo foi popularizado em 1980 pelos meteorologistas Frederick Sanders e John Gyakum, do MIT. O limiar de 24 hPa em 24 horas vale para a latitude de 60°. Mais perto do Equador, o efeito Coriolis é mais fraco e uma queda menor já representa uma intensificação equivalente. Por isso o critério é ajustado pela latitude, proporcional ao seno da latitude:

LatitudeQueda mínima em 24 hReferência
25°~12 hPaLitoral de SP e PR
30°~14 hPaPorto Alegre / litoral do RS
35°~16 hPaUruguai
40°~18 hPaNorte da Patagônia
60°24 hPaCritério original

Muitas reportagens usam só o número "24 hPa". Por isso é comum ver discussões sobre se um ciclone perto do Brasil "foi ou não foi bomba".

Por que acontece

A bombogênese precisa de uma combinação de fatores:

  • Contraste forte de temperatura entre o ar frio continental ou polar e o ar quente sobre o oceano.
  • Uma corrente de jato intensa em altitude, que "aspira" o ar do centro do ciclone e acelera a queda de pressão.
  • Mar quente e úmido: no Sul do Brasil, a Corrente do Brasil fornece calor e umidade que alimentam o sistema.

Esses ingredientes são mais comuns no outono e no inverno, por isso é nessa época que os ciclones bomba mais aparecem na costa do Sul.

Ciclone bomba no Brasil

Vários ciclones bomba se formam todos os anos no Atlântico Sul, mas a maioria se aprofunda longe da costa e só causa mar agitado. O perigo aparece quando a bombogênese acontece perto do continente.

O ciclone bomba de 30 de junho e 1º de julho de 2020

É o caso mais marcante dos últimos anos. O sistema se aprofundou rapidamente junto ao litoral e atingiu com força Santa Catarina, o Rio Grande do Sul e o Paraná:

  • Rajada de 168 km/h em Siderópolis (SC), recorde no estado segundo a Epagri/Ciram, e rajadas acima de 120 km/h em vários pontos dos três estados do Sul.
  • 12 mortes: 10 em Santa Catarina, uma no Rio Grande do Sul e uma no Paraná.
  • Quase 1,9 milhão de consumidores sem energia nos três estados.

Parte dos estragos do dia 30 veio de uma linha de instabilidade que antecedeu o ciclone, o que mostra como esses eventos combinam vários fenômenos. Veja outros casos no histórico.

O que fazer quando há previsão de ciclone bomba

A intensificação rápida deixa pouco tempo de reação. Quando a Defesa Civil ou o INMET alertarem para ventos fortes:

  • Recolha ou amarre objetos soltos em quintais, varandas e telhados.
  • Evite ficar perto de árvores, postes, placas e muros durante o vento forte.
  • Fique longe da orla e de costões, que ficam perigosos na ressaca.
  • Carregue celulares e power banks e tenha lanterna à mão para quedas de energia.

Guia completo: o que fazer antes, durante e depois.